Cobertura 4ª Edição das Jornadas de Sociologia

Atualizado: Mar 13

Autoria: Membros da Redação do Departamento SOCIALiS

No dia 10 de março decorreu a 4º Edição das Jornadas de Sociologia a cargo da equipa do NESISCTE, entre as 9h30 até às 18h30, com o tema “Trabalho: Tendências e Configurações”. O contexto pandémico fez com que o Núcleo elaborasse as Jornadas no formato online, um desafio diferente e que foi ultrapassado com distinção, numa das edições com mais participantes desde sempre, batendo o recorde de 121 participantes da anterior edição.

O primeiro painel teve como temática as (Re)Configurações do Mercado de Trabalho e contou com a moderação de Sara Franco Silva, com presença dos docentes Ana Paula Marques e Elísio Estanque.

O painel tomou início com Ana Paula Marques, que abordou o futuro do mercado de trabalho, as profissões que deixarão de existir e as novas competências que poderão ser exigidas. Por sua vez, referiu ainda que a pandemia trouxe ao de cima alguns dilemas laborais que estavam camuflados, nomeando a dificuldade dos jovens entrarem no mercado de trabalho. Destacou também os riscos psicossociais e de bem-estar que se têm vindo a agravar

Elísio Estanque salientou o processo histórico que o trabalho e as condições dos trabalhadores sofreram ao longo do tempo, com mudanças profundas a nível dos direitos sociais e laborais, tal como todas as transformações industriais e tecnológicas até à atualidade. Evidenciou a necessidade de repensar a economia, dando resposta à problemática da destruição de variadíssimos empregos devido às novas tecnologias em evolução. Por fim, sublinhou a urgência de qualificar as novas gerações numa perspetiva de estimular o emprego.

O segundo painel foi tomado pelos oradores Alan Stoleroff e Hermes Costa, e moderado por Jorge Aires. Alan Stoleroff desdobrou a sua temática sobre os diversos papéis do sindicalismo em tempos “normais” e de “crises”, dando ênfase na interligação entre o sindicalismo e a política.

Por sua vez, Hermes Costa dividiu a sua visão em três momentos: o sindicalismo enquanto objeto de estudo, as ambições fundadoras e os recursos do poder sindical.

No final desenvolveu-se um debate, onde contámos também com a participação da docente Rosário Mauritti, que envolveu questões que abrangeram a crise pandémica, as desigualdades entre sindicatos e sindicatos/patrões, e ainda promoção do sindicalismo entre os jovens através das redes sociais. Assim, este painel permitiu a consciencialização sobre a incógnita que atravessamos nesta crise pandémica e na importância de apoiarmos o Sindicalismo enquanto defesa dos nossos direitos de trabalhador.

O último painel do dia – Bem-estar: Os desafios na relação saúde-trabalho – teve por objetivo expor a temática em função de diferentes contextos.

Patrícia Costa assumiu o início do painel com uma apresentação intitulada de Trabalho: do outro lado do espelho. Abordou a negatividade associada à ideia de trabalho e a redução do tempo de trabalho em função do tempo extra. Um dos focos foi na ideia de sentido, ou seja, no facto de que existe uma associação entre o trabalho e a procura de um sentido no que fazemos, sentido esse que proporciona resultados para o bem-estar.

A segunda convidada, Mariana Moreira com uma intervenção sobre a prioridade que é a promoção da saúde mental. Começou por falar sobre a ENCONTRAR+SE, associação criada em 2006 com o objetivo de colmatar as lacunas no campo da saúde mental e que tem como foco, desde 2015, a área do trabalho. Demonstra que somos o país na Europa com maior prevalência de doença mentais, enfatizando a sobrevalorização nos cuidados da doença física comparativamente com a doença mental. Para colmatar deu enfâse à crescente preocupação com os colaboradores por parte das organizações, mas sem esquecer a necessidade destas organizações assumirem um real compromisso para verdadeiras mudanças.

Vera Oliveira, a última convidada a falar, apresentou o Bem-estar no Trabalho com foco no papel desempenhado pela empresa Teleperfomance no desenvolvimento de políticas que procuram ir mais longe na preocupação com os colaboradores e escape ao panorama ainda persistente.

No debate foi possível interligar os diferentes contextos, abordando-se a influência da pandemia covid-19, o direito a desligar dos trabalhadores, tal como a perda de controlo na distinção entre trabalho e vida pessoal.

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