O NESISCTE apoia a greve feminista de 8 de março de 2019


O Núcleo de Estudantes de Sociologia do ISCTE-IUL junta-se assim às dezenas de organizações, entre as quais muitas associações estudantis, que reconhecem que as desigualdades de género são estruturais e atravessam todas as esferas da sociedade e que mulheres e homens, raparigas e rapazes, devem unir-se na luta por mais igualdade: mais igualdade no ensino, no emprego, na política, no espaço público, no espaço doméstico e nas relações.



O dia 8 de março é um dia de luta pelos direitos das mulheres celebrado internacionalmente há mais de um século[1]. Para o próximo dia 8 de março, foi convocada uma greve internacional das mulheres, tendo por mote “Se as mulheres param, o mundo para”. Uma iniciativa que não é inédita, mas da qual Portugal este ano não fica de fora. No nosso país, dezenas de associações, e pelo menos cinco sindicatos, já manifestaram apoio a este movimento[2].


Assim, foi lançado um apelo para que esta sexta-feira, 8 de março, de norte a sul do país, as mulheres portuguesas parem as suas atividades e saiam à rua para comemorar o Dia Internacional da Mulher, reivindicando, em alto e bom som, os direitos que lhes são devidos por lei, mas que falham muitas vezes em ser aplicados. Amarante, Aveiro, Braga, Coimbra, Covilhã, Lisboa, Porto, Vila Real e Viseu são algumas das cidades onde estão previstas concentrações e outras iniciativas.


Em Portugal, a greve feminista é coordenada pela Rede 8 de Março que lançou um apelo à greve ao trabalho assalariado[3], à greve ao consumo de bens e serviços, à greve à prestação de cuidados e tarefas domésticas, mas também à greve estudantil.


O apelo a que as mulheres portuguesas não façam literalmente nada durante um dia tem por objetivo tornar visível a importância do seu trabalho, seja ele remunerado ou não. Entre os muitos exemplos das disparidades vigentes e que importa corrigir, citemos dois: as desigualdades salariais entre mulheres e homens, que se situam atualmente entre os 14,9% e os 18,3%[4], e as assimetrias na partilha de tarefas entre o casal, assumindo as mulheres, em média, 74% das tarefas domésticas, enquanto o homem com quem vive efetua, em média, somente os 23% [5].


Se estes dados não chegarem para justificar a pertinência da luta, há mais razões para apelar a uma ação coletiva em prol da igualdade de género: estereótipos de género desde a pequena infância, sexismo nos media, violência no namoro, violência doméstica… têm vindo a ser questionados e desafiados, mas persistem.


Por último, importa relembrar que a sociologia tem contribuído em grande medida para revelar as desigualdades sociais, tenham elas por base a classe, o género ou outras categorias.


Por todos estes motivos, o NESISCTE solidariza-se e apoia a greve feminista do 8 de março.

Se queres saber mais, podes consultar ainda:

- Manifesto da Rede 8 de Março: https://www.facebook.com/notes/rede-8-de-mar%C3%A7o/manifesto-vivas-livres-e-unidas/1196463040504548/

- Pré-aviso de greve do SNESup: https://www.facebook.com/notes/snesup-sindicato-nacional-do-ensino-superior/8-m-a%C3%A7%C3%A3o-pela-igualdade-de-g%C3%A9nero-no-esc/2232793433639943/

- Pré-aviso de greve do STSSSS: https://www.facebook.com/acoletiva/photos/a.199651507173795/592032357935706/?type=3&theater

[1] Há mais de um século que o 8 de março se instituiu como data de reivindicação por mais direitos para as mulheres: direito de voto, melhores condições de trabalho, salário igual por trabalho igual, entre outras lutas. Foi, no entanto, preciso esperar até meados da década de 1970, para que as Nações Unidas consagrassem o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.


[2] Lista em permanente atualização aqui: https://www.facebook.com/notes/rede-8-de-mar%C3%A7o/manifesto-vivas-livres-e-unidas/1196463040504548/


[3] Existem pré-avisos de greve oficiais do Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (SIEAP), do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNEsup), do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSS), o Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center (STCC) e o Sindicato de todos os Professores (S.TO.P).


[4] “em Portugal a disparidade do ganho médio mensal – contando com subsídios, prémios, trabalho suplementar – é de 18,3% (…) Já o salário médio – em que apenas se contabiliza a remuneração base – a diferença é de 14,9%” (jornal Público citando dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, 21.02.2019)


[5] Ver estudo “As Mulheres em Portugal, Hoje” divulgado a 13.02.2019 e realizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos: https://www.ffms.pt/mulher-em-portugal/3591/o-trabalho-nao-pago


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