Saúde Mental: Surgimento ou Reconhecimento?

Atualizado: há 6 dias

Tema Mensal de Outubro

Autor: Alexandre Tavares Pereira, Vice-Coordenador do Departamento SOCIALiS do NESISCTE


A rubrica “Temas Mensais” está de volta para mais um ano letivo! No passado mês de outubro, os membros do SOCIALiS recolheram, via on-line, testemunhos de colegas de todos os ciclos universitários que o Iscte tem para oferecer. O tema do passado mês? Saúde Mental.

Nos dias que correm vivemos num contexto propício para o surgimento de doenças mentais, a pandemia trouxe o isolamento que só por si pode ser catalisador de ansiedade, depressão e outras problemáticas que podem pôr em causa a nossa saúde. Aquilo que o SOCIALiS recolheu ao questionar aos alunos do Iscte revolve-se nesta questão: “Achas que hoje em dia existem mais condições propícias ao surgimento de doenças mentais (como o impacto das redes sociais) ou simplesmente existe um maior reconhecimento de que estas existem?”

Existindo diversas razões por detrás das doenças mentais que atormentam a nossa sociedade, uma das principais passa pela enorme massificação de conteúdo manifesto nas redes sociais. Para Inês Silva (18 anos, Gestão) estamos perante um constante afastamento físico dos nossos amigos e família, aumentando a nossa dependência pelo mundo on-line, levando a um afastamento do mundo real. Ainda referente às redes sociais, Joana Bezerra (20 anos, Finanças e Contabilidade) demonstra que uma das principais razões por detrás de uma decadência da saúde mental passa pela constante comparação entre o “eu” e o outro no mundo das redes sociais e dado que o outro nunca mostra o seu “pior eu”, num momento mais sensível da nossa vida, isso pode ser um fator que leva ao declínio da nossa autoestima e confiança. Segundo o que Margarida Neves (18 anos, Gestão) visa demonstrar através do seu testemunho, as redes sociais e a sociedade fazem uma enorme pressão sobre os indivíduos face a questões como a aparência, expetativas para o futuro e questões de performance (sejam elas laborais ou pessoais), isto é, “quando o melhor de nós não é atingido, é difícil lidar com a frustração”. “Nos últimos 10 anos, as redes sociais evoluíram bastante, existe muito mais conteúdo, muito mais opinião pública, é basicamente um novo mundo fora do mundo real” diz alunx da licenciatura em História Moderna e Contemporânea, tomando como destaque a crueldade e os discursos de ódio. Chega até a referir que quanto mais entrelaçados estamos nas redes sociais, mais difícil é a fuga deste nó, levando a problemas como ansiedade quando voltamos às interações no mundo real. O testemunho de Mariana Índias (Economia) utiliza percentagens para a elucidação da sua opinião. Para Mariana, 70% passa pelo maior reconhecimento das doenças mentais, no entanto, existem fatores como: videojogos (primeiro contato com os problemas do vício), redes sociais (novamente frisando a pressão social face à aparência). Faz questão de relembrar para o problema “Bullying” e de como este evoluiu, não sendo somente aplicado fisicamente, como no cyberespaço (Cyberbullying). Aos olhos de Maria Carolina (Sociologia), uma ávida consumidora do cybermundo, refere um dualismo das redes sociais, o principal aspeto negativo que pode levar a distúrbios alimentares e doenças mentais passa pelo estabelecimento de “padrões de vida e beleza inatingíveis”. Porém, as redes sociais também podem ser abordadas como uma plataforma de partilha e de espaço aberto, levando a uma maior aceitação de diferentes tipos de distúrbios e/ou doenças mentais. Catarina Gonçalves (Antropologia) vem reforçar a ideia de Maria Carolina (Sociologia) e mostra que existem dois lados da moeda, diz que, quotidianamente, a existência de doenças mentais não se devem só às condições propícias para o seu aparecimento como também se devem ao reconhecimento, apresentando uma modalidade de dupla agência das redes sociais. Atualmente, vivemos num tempo propício para o aparecimento das doenças mentais (e cada vez mais cedo nas vidas das pessoas), no entanto, dado o estatuto de Sociedade da Informação, existe um maior reconhecimento de um grande número de casos, levando a uma maior consciencialização. As doenças mentais podem ser tão impeditivas como qualquer outra doença física, é crucial saber abordar as doenças mentais, de modo a que todas as pessoas se sintam à vontade para falar e combater estes problemas que tanto as atormentam.

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