Trabalho Sexual

Autoria: Ricardo Silva, membro da Redação do Departamento SOCIALiS.

Novo mês? Novo tema mensal! Desta vez, a rubrica “Temas Mensais” regressa com o tema sobre o trabalho sexual, atividade esta que é uma das mais antigas do mundo, sendo por isso alvo de diferentes críticas e opiniões. No sentido de se recolherem diferentes pontos de vista relativamente a este tópico, diversos estudantes foram questionados, por membros do SOCIALiS, baseando-se nas perguntas:

“Achas que o trabalho sexual é estigmatizado na sociedade? “Que medidas acreditas serem as melhores para que se torne mais segura esta atividade laboral?”

Apesar de atualmente vivermos numa sociedade mais evoluída em todos os aspetos, são visíveis as consequências do conservadorismo relativamente ao trabalho sexual, sendo por isso estigmatizado e considerado muitas das vezes «tabu», numa altura em que a sociedade se encontra num processo de transição de pensamento.

Assim sendo, segundo Bruno Magalhães (Som e Imagem, ESAD) o trabalho sexual deverá ser visto como um trabalho igual a todos os outros em que o corpo é utilizado como uma ferramenta de trabalho, questionando-se sobre o porquê de existirem indivíduos que criticam duramente o trabalho sexual, mas que subscrevem mensalmente a um site de pornografia. Bruno crítica ainda a quantidade e a forma como são feitas as reportagens sobre o trabalho sexual, por parte das vias de informação grátis, defendendo que estas nem deviam de ser feitas, contudo caso se proceda à sua realização estas devem ser feitas com a mesma normalidade e naturalidade que outros temas e profissões e não como se fosse algo demasiado tabu.

O estudante Samuel Martins (Arqueologia, FSCH), deu-nos a sua opinião em relação ao tema, afirmando de que se trata de um tópico sensível por ser bastante estigmatizado. Samuel acredita que existem pessoas que praticam este tipo de atividade por falta de condições económicas, mas que também existe quem o faça por se identificar com o estilo de vida. Posição esta suportada pelo testemunho de Inês Antunes (Sociologia, Iscte) que evidencia a dificuldade que existe na sociedade em desassociar o prazer sexual e a intimidade do desempenho de uma profissão onde o corpo é a ferramenta de trabalho, defendendo que cada pessoa possuí a liberdade para realizar este tipo de trabalho, independentemente do motivo.

O facto de o trabalho sexual ser ilegal em muitos sítios do mundo, poderá ser um fator responsável pela sua estigmatização, segundo Samuel Martins (Arqueologia, FSCH). Contudo a visão de Margarida Ferreira (ULL, Direito) aborda o tema de um ponto de vista mais jurídico, afirmando que a lei portuguesa não criminaliza a prostituição pois cabe a cada indivíduo usufruir do seu direito à liberdade sexual da maneira que entender. No entanto, esta defende que o facto do trabalho sexual estar automaticamente inerente a visões distorcidas e preconceituosas, faz com que esta atividade adquira uma imagem errada e mal-encarada na sociedade, devido a estar ligada a temas como a pedofilia, tráfico de pessoas, drogas e exploração sexual, como defende Miguel Monteiro (Sociologia, Iscte) no seu testemunho.

De acordo com a opinião do estudante Miguel Monteiro (Sociologia Iscte), a regulamentação do trabalho sexual poderá ser uma solução para reduzir muitos dos problemas ligados ao trabalho sexual, posição esta reforçada pelos restantes testemunhos onde se acredita que a criação de medidas de segurança e proteção , como por exemplo a criação de uma associação que funcionasse como um centro de apoio ou a obrigatoriedade de preservar a saúde, bem-estar e integridade destes trabalhadores através de um ambiente seguro e precavido, onde os trabalhadores pudessem beneficiar dos mesmos direitos que outras profissões, poderá ser uma das muitas formas de promover uma maior aceitação social em relação a este tema.

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